O Charque da Dona Dina: A Receita Pernambucana que Alimentava a Família Inteira

Charque

O Charque da Dona Dina: A Receita Pernambucana que Alimentava a Família Inteira 

Se tem uma comida que carrega história, sustância e memória afetiva, é a carne seca.

Ou charque.

Ou jabá.

Depende da região, depende da avó… 😂

Aqui em casa, quem fazia era minha outra avó: Dona Dina, pernambucana arretada, daquelas mulheres que conseguiam transformar ingredientes simples em almoço de domingo em almoço de tropa. Rs

E sinceramente?

Até hoje o cheiro de carne seca refogada com cebola me leva direto pra cozinha dela.

A cozinha sempre quente.

Panela grande no fogo.

Ventilador ligado tentando vencer o calor.

E ela andando pela casa dizendo:

“Menina, comida boa é comida que sustenta!”

E sustentava mesmo. 😂

A carne seca era presença garantida.

Tinha escondidinho.

Tinha feijão com jabá.

Tinha macaxeira.

Tinha jerimum.

E tinha aquele prato inesquecível:

Jerimum com Carne Seca da Dona Dina

Uma receita simples.

Barata.

Cheia de sabor.

E com gosto legítimo de Nordeste.

Eu cresci ouvindo histórias enquanto ela dessalgava a carne.

E ela sempre dizia que carne seca boa precisava de tempo.

Porque antigamente tudo era feito assim:

com calma.

com fogo baixo.

e conversa na cozinha.

Hoje em dia a gente quer tudo rápido.

Mas algumas receitas pedem paciência.

E talvez seja exatamente isso que faz elas terem gosto de memória.


A História do Charque no Brasil

A carne seca faz parte da história do Brasil há séculos.

Os relatos mais antigos mostram viajantes estrangeiros impressionados com a técnica de conservar carne usando sal e secagem ao sol.

Ela alimentou viajantes, tropeiros, trabalhadores e famílias inteiras durante gerações.

No Nordeste, a carne seca virou símbolo de resistência.

No Sul, ganhou força nas charqueadas.

E em praticamente todo o Brasil ela encontrou espaço na cozinha popular.

Não era comida de luxo.

Era comida de verdade.

Daquelas que sustentavam o corpo e reuniam gente em volta da mesa.

E talvez seja por isso que até hoje o cheiro de carne seca mexe tanto com a memória afetiva de tanta gente.


Receita de Jerimum com Carne Seca da Dona Dina

Essa receita é simples, deliciosa e perfeita para almoço de domingo.

Ingredientes

  • 1,5 kg de carne seca cortada em cubos
  • 1,5 kg de abóbora (jerimum) cortada em cubos grandes
  • 1 cebola grande fatiada
  • 3 dentes de alho
  • Cheiro-verde a gosto
  • Pimenta-do-reino
  • Azeite
  • 1 fio de óleo

Modo de Preparo

Na véspera, lave bem a carne seca e deixe de molho em água fria.

No dia seguinte, escorra a água e cozinhe a carne até ficar macia.

Reserve.

Em uma panela grande, refogue a cebola no azeite com um fio de óleo.

Acrescente o alho e depois a carne seca.

Mexa bem até dourar levemente.

Enquanto isso, coloque os cubos de abóbora em uma assadeira untada com azeite.

Leve ao forno até ficarem macios, mas sem desmanchar.

Misture a abóbora ao refogado de carne seca.

Finalize com cheiro-verde e pimenta-do-reino.

E pronto.

Uma receita simples.

Mas carregada de história.


O Charque da Dona Dina Tinha Gosto de Família

Hoje eu entendo que não era só sobre comida.

Era sobre cuidado.

Sobre acolhimento.

Sobre aquelas mulheres fortes que alimentavam o mundo inteiro sem nunca reclamar do cansaço.

Dona Dina fazia isso.

Com panela cheia.

Com tempero forte.

E com aquele jeito pernambucano de transformar pouco em muito.

E sinceramente?

Toda vez que faço carne seca aqui em casa, parece que ela volta por alguns minutos pra cozinha comigo. 💛


Dicas da Dona Dina 

  • ✔ Carne seca boa precisa ser bem dessalgada
  • ✔ Jerimum combina perfeitamente com pimenta-do-reino
  • ✔ Um fio de manteiga no final deixa tudo ainda melhor
  • ✔ Sirva com arroz branco e feijão
  • ✔ E se tiver farinha… melhor ainda Kkkk

Receitas afetivas não alimentam só a fome.

Elas alimentam lembranças.

E algumas delas atravessam gerações inteiras dentro de uma panela. 💛

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